Ontem, paralelamente ao empate conseguido na Sérvia, discutiu-se a opção de Scolari por Simão em detrimento de Quaresma.
Argumentar-se-á que o seleccionador nacional preferiu a experiência e a segurança defensiva do primeiro em favor do virtuosismo do segundo, face às três boas opções que temos para as duas posições das alas no nosso sistema de três avançados. Simão, de facto, compreende melhor que Quaresma a especificidade de uma primeira linha de pressão que deverá relegar para segundo plano a conquista da bola para se concentrar na limitação das progressões atacantes verticais começadas na linha defensiva assim como no tempo que o adversário terá para organizar a transição ofensiva. A sua inclusão percebe-se então na dimensão defensiva do jogo, compreendendo-se também que esta fase define e temporiza a dimensão ofensiva do mesmo, mas relança uma questão sobre o papel das individualidades no futebol Europeu que hoje se pratica.
À pergunta qual o melhor jogador da actualidade muita gente responderá que será Ronaldinho Gaúcho, Cristiano Ronaldo ou um desses magos da bola que perfumam os relvados com a sua técnica e velocidade de execução. Menos evidentes, mas igualmente correctas, uma minoria poderá eleger Deco, Lampard, Gago ou mesmo Essien.
O novo paradigma emergente centra-se na táctica como o principal elemento decisivo na obtenção de tÃtulos. Será da disposição dos jogadores em campo e da sua leitura dos tempos de jogo, dos processos defensivos e ofensivos e da sua continuidade que dependerá a vitória ou derrota num jogo. As equipas surgem assim dispostas em campo espartilhadas e dependentes de jogadores sem grande magia mas que sabem o que fazer em campo, com e sem bola. Alguns dos grandes jogadores da actualidade fazem carreira agora, não pelo seu brilhantismo ou fintas, mas pela sua inteligência e cultura táctica. Mais do que atacantes, surgem nas listas dos mais cobiçados, jogadores do miolo que fazem funcionar as equipas.
Mas as paixões não se fazem de tácticas, essa poderá ser no máximo a alma de um jogo, fazem-se de fintas e grandes golos, por parte de jogadores que pensam e executam mais rápido ou melhor que os demais.
Vem-me logo à ideia esse confronto Barca-Chelsea da actual edição da liga dos campeões, recordo-me vagamente da alta intensidade de jogo, das ocupações de espaço e gestão do ritmo e tempos de jogo, mas aquilo que não esquecerei será o fenomenal golo do Lampard, a frieza glacial de Drogba ou a finta na recepção de Ronaldinho.
Quando as tácticas se revolucionarem de novo e de novo se esquecerem as actuais, conseguiremos explicar aos nossos filhos o porquê de naquele jogo da sérvia escondermos um artista chamado Quaresma no banco? Será que eles compreenderão quando lhes explicarmos que a táctica, naquele momento, assim o impunha?

Depois das promessas portuguesas terem saÃdo derrotadas do encontro frente à Sérvia, é agora a vez dos mais velhos mostrar como se joga. A Selecção Nacional tem pela frente, esta quarta-feira, em Belgrado, importante etapa no percurso que se quer de sucesso para o Euro-