May 18

Há os de várias classes. Desde aqueles de bancada, até aos mais profissionais que conduzem os destinos do nosso clube preferido. De outra perspectiva, podemos afirmar que os há também para diferentes desportos. Mas como distinguir um bom de um mau treinador?

A resposta mais evidente passa sempre pelos seus dilemas tácticos, pela maestria como selecciona entre as várias opções aquela que dá mais resultado, ou como prepara a equipa física e mentalmente para as competições que disputa. Mas se esse for o caso, negaríamos ao desporto a componente clara de imprevisibilidade que o acompanha, desde a bola que vai à trave ou ao aro, até ao stick que quebra no momento mais inoportuno. Mais do que isso compreenderíamos o desporto como uma equação cujas variáveis se conjugam de forma mais ou menos perfeita de forma a produzir um resultado específico. E convenhamos, por muito que gostemos que a nossa equipa ganhe, não há maior prazer do que o ver fazer com classe ou qualidade.

O treinador será então o matemático que dispõe incógnitas na equação?

Sim, se considerarmos que uma formação sólida nas componentes cientificas do desporto é garantia de grande parte do sucesso, mas isso bastará?

Recordo-me então dos inúmeros atletas que passada a sua vida útil como desportistas, encarnam nessa mítica função de treinador, conseguindo sucessos iguais ou até maiores do que os conseguidos ao longo da sua anterior carreira. Vem-me à ideia também que face a essa nova responsabilidade, a de dar a cara por uma equipa, muitos irradiam uma tranquilidade natural de quem evoluiu ou, pelo contrário, mostram uma máscara de desconforto.

Essa transição natural envolve sempre essa componente maliciosa de distanciamento, se antes o homem jogador intervinha em campo, agora o homem treinador apenas o faz ao longe, manipulando os fios condutores da sua equipa. E se antes o sucesso e insucesso se diluiam na equipa, agora lá está ele, no topo da montanha, a dar a cara para o bem e para o mal.

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