Morreu Bobby Fischer, um dos maiores jogadores que o mundo do xadrez já teve.
No seu currículo contam-se 8 vitórias no campeonato americano de xadrez, em 8 presenças e uma vitória no Mundial de 1972 frente ao russo Spassky, uma final que marcou a Guerra Fria no xadrez entre os EUA e a União Soviética. Na classificação, Fischer venceu Taimanov (do top 10) e Larsen (do top 5) por 6-0, em jogos à melhor de dez. Depois, derrotou Petrosian e, por fim, Spassky. Fischer terminou a carreira nesse ano, com 2780 pontos no ranking, marca que só foi superada 15 anos depois por Kasparov. Venceu todos os torneios em que participou excepto dois, em que ficou em segundo lugar.
Fischer foi preso no Japão em Julho de 2004 ao ver caducado o seu passaporte americano. A Islândia, no entanto, ofereceu-lhe asilo político e o americano aceitou, vivendo desde Março de 2005 na capital, Reiquiavique. Aos 64 anos, foi internado num hospital da cidade, com sintomas de paranóia. Viria a falecer esta quinta-feira.

Fischer vinha a ser perseguido pelos EUA por ter violado, em 1992, o embargo sobre a Sérvia relativamente à guerra dos Balcãs, ao aceitar repetir «O Jogo do Século» contra Spassky, em Belgrado. Entre várias opiniões políticas controversas (foram-lhe atribuídas declarações de apoio aos atentados de 11 de Setembro), disse que a CIA andava a armar um plano para o capturar.
O «génio volátil», como se definiu numa das suas biografias, teimou a sobrepor-se ao génio que, sem sombra de dúvidas, domina o espírito do xadrezista. Spassky, seu eterno rival, definiu-o desta forma: «Bobby é uma personalidade trágica. É honesto, de boa natureza e com um elevado sentido de justiça, mas é uma pessoa completamente anti-social. É alguém que fez praticamente tudo contra si próprio.»





