Mário Ventura é administrador do blogue Finta & Remata e cronista semanal convidado do Tugasport
O FC Porto é campeão. Jesualdo Ferreira gostou de levar a emoção até ao fim, qual «entertainer» a quem lhe pagam para encher os estádios na última jornada.
Ainda assim o FC Porto venceu bem, é o justo vencedor da Bwin Liga e, tal como Fernando Santos vem dizendo, qualquer um dos grandes seria um justo vencedor se terminasse
Em relação a esta última jornada, pouco mais há a dizer… no topo, as vitórias dos três grandes, algo que todos esperavam, ainda que a goleada de Alvalade não estivesse nas contas dos teóricos e muito menos nas de Paulo Bento. Já nas de Jorge Jesus, acredito que tivessem, pois para a semana há final da Taça e enquanto Jesus encheu o bloco de apontamentos na observação ao «onze base» do Sporting, onde apenas Alecsandro decidiu intrometer-se na derradeira ronda, Paulo Bento viu um Belenenses de segunda linha, com uma motivação de terceira…
No fundo da tabela, tenho de reconhecer que fiquei surpreendido: o Desportivo das Aves estava praticamente condenado devido ao calendário, com a visita ao Dragão, enquanto o Beira-Mar podia (justamente) manter-se no convívio dos grandes ao «roubar» a Europa ao Paços de Ferreira. Não o fez, empatou a uma bola e o Vitória de Setúbal, para mim a desilusão desta época, a par com a Académica, acabou por vencer na Figueira e assegurar a manutenção. Os ordenados em atraso não explicam tudo na carreira dos sadinos, mas ainda assim é uma boa notícia a permanência do Vitória quando já pairava a hipótese da extinção do futebol profissional em caso de descida à Liga Vitalis.
FC Porto campeão, Sporting na Liga dos Campeões, Benfica na pré-eliminatória, Sporting de Braga, Belenenses e Paços de Ferreira na Taça UEFA, sendo que os dois últimos são claramente as equipas revelação desta temporada, enquanto Beira-Mar e Desportivo das Aves voltam ao local de onde vieram no início da época e, se calhar, de onde nunca deveriam ter saído.
De equipas desilusão e equipas revelação estamos conversados, pelo que gostaria apenas de terminar com mais algumas distinções pessoais. O treinador do ano é Jorge Jesus, que levou o Belenenses a uma época de plenos quando a 2ª Divisão era o panorama inicial. Nos grandes, falemos de jogadores: no campeão FC Porto, Bruno Alves foi a revelação, Lucas Mareque a desilusão. Nos «putos» de Alvalade, revelação para Miguel Veloso, desilusão para o seu parceiro de posição Carlos Paredes. No «ninho da águia», revelação para David Luiz, desilusão para o «ninja» Derlei.
Termino apenas com duas curiosidades: primeiro, a dança de treinadores que estranhamente assombrou a festa do Dragão: Jesualdo Ferreira, técnico vencedor, divide a opinião dos adeptos, algo que já se havia passado com Co Adriaanse e teve os resultados conhecidos. No Benfica, treinador que não vence um troféu tem as portas de saída abertas mas Luís Filipe Vieira tratou de renovar o contrato ao engenheiro e tudo indica que seja ele o treinador da próxima época. Em Alvalade o consenso é visível, Paulo Bento reúne as preferências da massa associativa e dos dirigentes, pelo que p cenário à «Alex Ferguson» ganha cada vez mais contornos de possibilidade credível.
A segunda curiosidade roça mais a minha «clubite»: a Liga Bwin teve apenas 16 equipas este ano, depois do reordenamento dado aos campeonatos profissionais. Foram 30 jornadas de bom futebol, de belos golos e de algumas surpresas. 30 jornadas que poderiam ter sido 34, não fosse a extinção das 18 equipas. Agora pergunto eu: se após esta 30ª jornada, que fechou as hostes, tivessem havido mais quatro, será que o campeão seria o mesmo? É uma questão vaga, é certo, mas a mim fez-me pensar…
Até para a semana, boas fintas e bons remates!






