Entre o habitual folclore do desporto nacional passou, com menos destaque que uma notícia de rodapé, a notícia do apuramento da selecção portuguesa de Râguebi para o Mundial a decorrer em França em Setembro deste ano.
Somos um país pequeno, o que talvez explique a marginalidade destas notícias que aparecem ocasionalmente para depois esmorecer face à relevância do Futebol. Desaparecem embrulhadas nessa procissão de dirigentes, comentaristas, adeptos e presidentes, nesse folclore paroquial que expande qualquer jogo de futebol em várias horas, se não em dias, em que tudo se discute, o essencial e o acessório, com vantagem para este último.
Esta equipa, capitaneada por Vasco Uva e dirigida por Tomás Morais, foi a outro continente arrancar uma qualificação histórica frente ao Uruguai, perdendo por 18-12 mas beneficiando da vitória caseira por 12-5. Cientes da previsível entrada forte dos adversários, e da sua superioridade em termos de bloco, os “Lobos” apostaram na velocidade e transições laterais para empurrar o jogo para o meio campo adversário. Numa primeira parte muito intensa, Portugal demonstrou a segurança defensiva possível, muita agressividade nos alinhamentos e um Cardoso Pinto glacial nos pontapés de penalidade a empatar a contenda a 6 pontos. No reatamento, o Uruguai entrou forte chegando aos 11 pontos, foi a pior parte da exibição de Portugal, asfixiados pela pressão Uruguaia e com pouca imaginação atacante. Mas novamente apareceu Cardoso Pinto, a arrefecer o ímpeto adversário com mais 2 penalidades convertidas em 8 minutos e a colocar Portugal
E foi só isto. No decorrer das próximas semanas não se vão ouvir dirigentes, não vai ser discutida a arbitragem, não vamos ver nenhum destes jogadores a fazer anúncios a bancos ou a discutirem uma renovação milionária. Provavelmente da próxima vez que ouvirmos falar destes heróis será em Setembro quando defrontarem a Escócia, Nova Zelândia, a Itália e a Roménia no Mundial.
A essência do desporto puro, feitos impossíveis conseguidos por amadores, que contam com o seu espírito guerreiro, e como isso contou para defender o precioso ponto da qualificação, e que se consubstanciam e esgotam em campo.
São heróis, desconhecidos para a maioria, e a eles não louvamos a fama ou a imagem, nem sequer o contrato assinado, mas sim a enorme coragem de conseguir estar entre os melhores do mundo no intervalo das suas obrigações profissionais e familiares.





